domingo, 5 de julho de 2009

HIPERATIVA, UM MAL QUE PODE LEVAR A CRIMINALIDADE

"As primeiras referências aos transtornos hipercinéticos na literatura médica apareceram no meio do século XIX. Entretanto, sua nomenclatura vem sofrendo alterações contínuas. Na década de 40, surgiu a designação "lesão cerebral mínima", que, já em 1962, foi modificada para "disfunção cerebral mínima", reconhecendo-se que as alterações características da síndrome relacionam-se mais a disfunções em vias nervosas do que propriamente a lesões nas mesmas. (...)”


O trecho acima faz parte do artigo cientifico “Hiperatividade Infantil” da psicóloga infantil da USP, Kellen Naiara Drumond Linhares, que diz em seu artigo, “O Transtorno do Déficit da Atenção e Hiperatividade (TDAH) é caracterizado, segundo Domingos e Risso (2000), como uma inabilidade de auto-regulação da atenção, as crianças são geralmente distraídas, impulsivas e impacientes, podendo se prolongar da infância, adolescência até a fase adulta”.

Para o neuropediatra e membro ativo da Clinica Médica/CCS da UEL, especialista na Síndrome do Déficit de Atenção e Hiperatividade, Dr. Aparecido José Andrade, “os impactos causados pelo transtorno são enormes na sociedade, considerando o alto custo financeiro, o estresse que vive as famílias, os irremediáveis prejuízos nas atividades acadêmicas e vocacionais, além dos efeitos negativos na auto-estima das crianças e adolescentes que sofrem com a síndrome da hiperatividade.

“Estudos têm demonstrado que crianças com TDAH apresentam um riscoaumentado de desenvolverem outras doenças psiquiátricas na infância, adolescência e idade adulta, e muito mais propenso ao crime, devido à exclusão social e a própria necessidade de aceitação causada pela dificuldade de se relacionar com as outras pessoas”, constata Andrade.

Outro fator que empurra o hiperativo a cometer o ato ilícito, segundo Dr. Aparecido Andrade, “O subdiagnóstico é mais um dos itens que vem contribuir para a exclusão social desta criança, que encontra geralmente amparo em círculos sociais problemáticos, como no tráfico de drogas, dentre outros”.

O neuropediatra acaba de participar do Congresso Internacional de TDAH, Promovido pela American Psychiatric Association - APA, que aconteceu na cidade americana de São Francisco (Califórnia) durante todo o mês de maio deste ano. “As comorbidades (ansiedade, compulsão, impulsividade, imaturidade e síndrome da oposição ou contestação) são inerentes ao transtorno e as maiores causas para a exclusão do grupo social e consequentemente, pode acabar empurrando o individuo hiperativo para criminalidade na adolescência e fase adulta”, afirma Andrade.

Outro dado revelado pelo Dr. Andrade, “Estudo da Universidade de Michigan indicou que os hiperativos são mais propensos à violência espontânea e aos acidentes de trânsito provocados pela falta de atenção ao volante”.

Ainda conforme Dr. Aparecido José Andrade existem dois tipos de hiperativos, o Hipervigis e o Hipovigis. O hipervigis dorme muito pouco ou quase nada o que eleva, pela privação do sono, o seu grau de agressividade e a comorbidade de oposição ou contestação. No hipovigis, o sono é normal e a agressividade é atenuada, mesmo a comorbidade da oposição ou contestação é mais fácil de ser controlada pelos pais e professores, porém não deixa de ser um sério problema comportamental.

O pico da tendência marginal do hiperativo ocorre na adolescência e fase adulto jovem. É neste período da vida do hiperativo que os reflexos da exclusão sofrida na infância acaba sendo evidenciado. O tráfico de drogas, a corrupção e estelionato são os crimes mais comuns cometido pelos indivíduos que possuem o Transtorno do Déficit da Atenção e Hiperatividade (TDAH).

O diagnóstico da criança com TDAH começa pela observação dos seguintes sintomas: -dificuldades de relacionamento, problemas emocionais, agressividade, esquecimento. Distração e não gosta de limites. Possui dificuldade para completar tarefas e de concentração. Não conseguem seguir regras, evitam atividades que exijam esforço mental, tem dificuldade para organizar objetos, não prestar atenção em detalhes, levantam-se com freqüência em sala de aula, agem sem pensar, falam em excesso. Essas características ficam mais evidentes no período escolar quando o nível de concentração deve aumentar para que ocorra a aprendizagem. (ROHDE L. A; BENCZIK E. 1999)

“Durante a primeira ou a segunda consulta médica, a criança hiperativa pode ser comportar de forma quieta e educada. Sabendo que será analisada, pode transformar-se em uma criança "modelo". Os pais devem estar preparados para descrever, de forma precisa e objetiva, o comportamento do seu filho em casa e nas atividades sociais”, é o como descreve a ABDA - Associação Brasileira do Déficit de Atenção e Hiperatividade, entidade que vem prestando apoio aos pais, médicos, psicólogos e professores dos portadores de TDAH.

“O TDAH na infância é mais comum em meninos do que em meninas, contudo pesquisas demonstram que as meninas apresentam menor prejuízo intelectual, nível mais baixo de hiperatividade e baixa frequência de comportamento externalizante. Na fase adulta é comum em alguns casos o uso de estimulantes como formas de controle, o que poderia ser substituído por estratégias compensatórias comportamentais”. (DOMINGOS e RISSO, 2000)

O Dr. Aparecido José Andrade relatou que o TDAH é um mal genético, que possui graus (leve, moderado e máximo). É um defeito nos percussores das noradrenalinas, principalmente, a dopamina. “Alguns estudos das universidades de Manchester, Harvard e no Brasil, a USP, mostram que nos hiperativos os cromossomos 11 e 16 possuem deficiências, porém ainda não existe ou é possível que apenas um exame de laboratório aponte a doença. Para o diagnóstico é necessário um conjunto de analises que deve ser feita por médicos e psicólogos, conjuntamente”.

Outro fator relevante que os estudos realizados conseguiram comprovar é que o TDAH tem incidência maior ou menor conforme a origem racial. Asiáticos e africanos a incidência da doença é de apenas 1%, em contrapartida, nos árabes, europeus e nas Américas, os índices de ocorrência na população variam de 4% a 12%. “No Brasil acreditasse que existam cerca de 8 milhões de adultos com o TDAH e pelo ou menos 4,5 milhões de crianças. Apenas 500 mil indivíduos entre adultos e crianças foram corretamente diagnosticados e estão recebem o tratamento correto”, relatou Aparecido Andrade.

O médico avisa, “Ainda não existe nada mais eficaz como tratamento, que o METILFENIDATO (Ritalina) acompanhado do tratamento comportamental feito por um psicólogo ou psicoterapeuta especializado na área. Mas o mais importante é o amor, paciência, aceitação e compreensão da família (pais)”.

“Os hiperativos tem inteligência normal ou acima da média. Se todos os cuidados forem tomados e o tratamento começar cedo, o individuo com TDAH pode no futuro ser, quem sabe, um Michael Phelps ou até mesmo um Albert Einstein”, comparou Dr. Andrade que revelou nomes de alguns hiperativos famosos e considerados pelo médico como, “Geniais”.

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